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O PAI PRÓDIGO

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O PAI PRÓDIGO 
de Ana Coutinho

Certamente você já ouviu falar a respeito. Ou na missa, ou num texto, ou a sua mãe dizia, ou alguém no ônibus, atrás de você, já mencionou a “parábola do filho pródigo”. 

Ela é simples. Fala sobre um filho que saiu de casa, gastou todo o dinheiro que o pai havia dado pra ele e, quando estava na miséria, se arrependeu de tudo e voltou pra casa. O pai, ao contrário do esperado, o recebeu de braços abertos. Mandou matar um porco e fez uma festa de boas vindas, porque o filho estava perdido e voltou. No entanto, esse pai tinha outro filho. O outro filho sempre foi trabalhador e nunca saiu do lado do pai e, ao ver a festa que este fez para o irmão desmiolado, se aborreceu, se entristeceu. A essa reação, o pai respondeu: “Alegre-se meu filho. O seu irmão estavava perdido e voltou!”.

É basicamente isso, e é assim que a relação entre pais e filhos foi, por tanto tempo, concebida. Os filhos são uns desmiolados, e os pais possuem um enorme amor incondicional. 

Por isso tudo devemos respeito aos nossos pais, devemos honrar pai e mãe, devemos cuidar deles com amor, devoção até. Só que os tempos mudaram. E hoje, além desses pais excelentes que amam os filhos incondicionamente, existem outros. Hoje em dia, não é raro vermos o contrário. O pai que roubou o filho. A mãe que manipula suas crianças pra perturbar o pai. Ou o pai que ignora que tenha filhos, enquanto esses os esperam na janela, dia após dia. Os pais deixaram de ser os santos, talvez não todos, mas pelo menos parte deles. Quem não conhece uma mãe que chantageia seus filhos com sentimentos quase sórdidos? Quem nunca ouviu falar de um pai que extorque o filho? Financeiramente, moralmente, amorosamente. Eu sei, de pelo menos uns 3 casos. E, em todos eles, os filhos gastam horrores com terapia, para que possam sentir raiva de seus pais, para que possam odiá-los até, sem odiar a si mesmo antes, sem maltratar a si mesmo antes, porque essa é a regra: Filho que não apoia o pai está errado, é banido e pronto.

Ah! Quanta injustiça... Quantos traumas não se resolveram porque é proibido contrariar um pai, é crime enfrentar uma mãe, e a sociedade é craque em julgar e punir um adulto que não visite ou não telefone semanalmente pra sua mãe. 

Mas e se essa mãe faz mal? E se esse pai arrasa o filho adulto? Como lidar com a culpa, com o fardo de não honrar aquele que, afinal de contas, te colocou no mundo?

Talvez deva haver uma mudança. Talvez devêssemos ser mais realistas e mais justos com as nossas crianças e com os nossos adultos, frutos de preconceitos ou de devaneios de pais, tantas vezes egoístas e mesquinhos. Não há santo aqui. O que existe sim, é uma relação que segue com tropeços, solavancos, tentativas acertadas e frustradas de ambas as partes. E, nesse caminho de tantos mal-entendidos, de tantas palavras mal colocadas, ou de tantas frases que nunca foram ditas e abraços que nunca foram dados, é preciso enxergar com clareza quem somos. O que é possível, o que é impossível. 

Que filho eu posso ser, enquanto o meu pai pródigo não volta? Que amor eu posso lhe conceber hoje, sem me mutilar ou sem carregar toneladas de culpa por não exercer o meu amor, como manda o script? Não há só filhos pródigos, não há só pais perfeitos. 

Hoje, a imperfeição está em todo o lugar e é preciso tirar a venda do preconceito dos olhos pra podermos enxergar e –principalmente – lidar, não só com o que temos de lindo e nobre, mas com aquilo que temos de egoístas e mesquinhos, e com o legado que deixamos aos nossos filhos, não só nas parábolas, mas na vida real, enquanto eles tentam ser, também com tropeços e solvancos aquilo que - talvez - tentamos ensinar a eles para que fossem.

Fonte: Crónica do Dia 

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2 comentários:

  1. Amigo, quanta injustiça sim existe na mente das pessoas que maltratam crianças e adolescentes.
    A minha filha é meu unico tesouro, eu a amo profundamente, sou muito grata a Deus por ter me dado este grande amor.

    ResponderExcluir
  2. Oi Sis,

    Esse amor de mãe e filha é eterno...

    Abr.

    Paulo

    ResponderExcluir

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