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A DOR QUE NÃO TEM NOME

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Amar e ser amado é tudo o que se quer. Com amor, tudo que se faz parece ter mais sentido, a vida tem mais cor, as coisas banais parecem mais prazerosas. Por isso, a separação, quando acontece, dói muito, de um jeito impossível de definir. Uma dor que não é só solidão, que não tem nome. 

Quando a separação é inevitável, e vem sendo apenas adiada, como quem empurra a sujeira para baixo do tapete, cedo ou tarde chega o dia em que uma das duas pessoas envolvidas, ou ambas, admitem que o relacionamento acabou, está só no papel, ou nem está nele. É tempo de fazer as malas, é tempo de sofrer esse luto, que existe mesmo quando o amor não existe mais. 

Estar sozinha implica em muitas pequenas coisas, que como definiu Chico Buarque, são “a soma de tudo que chamam lar”. O controle da TV finalmente está nas suas mãos (antiga reivindicação...), mas na prateleira faltam livros, a estante dos CDs está desfalcada, o armário do banheiro esvaziou de repente, deixando sua escova de dentes lá dentro, sozinha, vazia como você. É o momento em que se fica frente a frente consigo mesma, com o sonho que não deu certo, a boneca que quebrou, o amor que se jurou eterno e, como vidro, se quebrou. Daí a dor, daí a necessidade de se repensar a vida, não sem antes admitir o luto.

As pessoas, quando se separam, sentem-se perdidas e sem rumo porque todo relacionamento (e quanto mais longo mais isso acontece) implica numa fusão dos egos, é como se não existisse mais “você” e “eu”, mas uma nova entidade chamada “nós”. A separação rompe esse parâmetro, então é preciso reencontrar o ego, desconstruir para voltar a se encontrar. Nesse período, vale tudo o que puder ajudar: o colo da mamãe, quando ainda está disponível, a conversa com as amigas (cuidado com as que se comprazem com a dor alheia...) e, muitas vezes, a ajuda de um profissional de Psicologia se faz necessária para que esse período de perda e luto seja melhor enfrentado. Por mais que as amigas e amigos se esforcem, não há conselho que ajude. É como quebrar um osso: o gesso ajuda, o anti-inflamatório e o sedativo ajudam, mas só o tempo pode resolver o problema definitivamente. 

Há, porém, formas de se minimizar o sofrimento, e o auxílio psicológico está entre elas, quando a dor não é de osso, mas é de alma. Se você quebrar um osso e não procurar socorro, pode ter graves complicações; da mesma forma, as dores de amor dependem principalmente do tempo, mas é preciso ajudar o tempo a fazer o seu papel. 

Toda separação é dolorosa, essa é a grande verdade. Mesmo que as pessoas envolvidas neguem. Refazer a vida, reorganizar o tempo sem a outra pessoa, por pior que estivesse a relação, implica numa desconstrução que muita gente não consegue fazer, ou faz muito mal, e continua sofrendo, tanto ou mais do que quando estava numa relação péssima. Há pessoas que se deprimem, outras somatizam a dor, ficando doentes, outras ainda engordam demais ou param de comer. Todas sofrem. No entanto, vale também aqui o ditado popular: “não há mal que sempre dure nem bem que para sempre perdure”. 

Começar de novo, reorganizar a rotina é difícil, mas muitas vezes é necessário, para que se continue a viver, e viver bem. Quem sabe, até bem melhor do que se vivia antes. No entanto, é preciso saber passar pela tormenta, antes que venha a calmaria.

Fonte: Crônica do Dia: A DOR QUE NÃO TEM NOME [Maria Rita Lemos] 

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3 comentários:

  1. Não consigo mensurar o tamanho da dor,de um amor que se vai...a dor do silencio,do único prato na mesa.O vazio da casa.Texto muito verdadeiro e sensível.
    Bjos

    ResponderExcluir
  2. sabias palavras
    a dor da perda é realmente uma dor
    dificil de se administrar, pois niguem
    esta pronto para perder

    eu aprendi que para curar a dor de uma perda
    é preciso encontrar algo tenha maior importancia
    di que o que se perdeu

    grande abraço

    ResponderExcluir
  3. Pithan,
    Um texto muito lindo, muito verdadeiro.
    Todo recomeço é difícil, mas sempre é hora de recomeçar, de reaprendermos a amar e a valorizar a tudo e a todos.
    Parabéns pela postagem.
    Bjs.

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